sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Vale Estranho



O que você sente olhando esta imagem? Mulher estranha, né?

Na verdade, ela é um andróide (um robô que mimetiza uma pessoa).


Em 1970, Masahiro Mori (um roboticista japonês) lançou uma idéia, segunda a qual figuras humanas abstratas ou caricaturas são mais aceitas pelas pessoas, ao passo que robôs e animações parecidos com pessoas mas não idênticos, causam um certo estranhamento, um desconforto. Isso se aplica a muitas pessoas, mas atualmente, discute-se a veracidade desse conceito.


Acontece que Mori não baseou sua tese em dados experimentais (iiih, péssimo jeito de começar). Além disso, os robôs foram ficando cada vez mais parecidos com seus criadores, e estudos recentes (com metodologias mais aceitáveis) apresentam conclusões divergentes à de Mori. O que se discute é que não é a quase perfeição que assusta, mas sim a aparência estética fora do padrão.


Mas ainda existem estudos tentando justificar a intuição de Mori. Quanto mais próximo de um ser humano você quer que seja sua construção (seja animação ou robô), mais estreita fica a sua faixa de variação. E todos nós temos um "sensor" que age de maneira que não percebemos... Simplesmente temos aversão à traços que possam representar saúde debilitada ou infertilidade.


Verdade ou falsidade, muitos obedecem aos conselhos de Mori, como a indústria cinematográfica. Até a rapidez do movimento dos olhos é analisada a fundo a fim de se evitar ao máximo a aversão do público (o que obviamente, traria grande prejuízo). Já filmes de terror podem se atirar ao vale de Mori... A intenção é assustar mesmo...


A segunda imagem é um gráfico mostrando o vale. Está em inglês mas é muito simples de se entender. Eu acho o conceito muito plausível, embora confesse que preciso conversar mais com meus professores de Neurociência a esse respeito.
Sousa, E.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Chuva de Palavras

Adoro as aulas de Sistemas Biológicos! Agora estou cursando o segundo módulo, mas certamente postarei revisões do primeiro módulo em breve. O título expressa exatamente o que foi a aula de hoje. Após uma apresentação formidável da Dra Marcela, a respeito do Sistema Esquelético, ela pede delicadamente que todos anotem alguns termos técnicos que deveríamos ter em mente a partir daquele momento. Eu já devia imaginar o que estava por vir:

No crânio: osso frontal, parietais, temporais, occiptal, nasal, lacrimal, maxila (com seus processos palatino e zigomático), mandíbula, esfenóide, zigomático, etmóide, vômer, suturas (escamosa, sagital, occiptal transversa, coronal, lambdóide), forame magno, dentes (incisivos, caninos, pré-molares, molares).

No tórax: esterno (aham, com 's' mesmo. Subdividido em manúbrio, corpo e processo xifóide), costelas (sete verdadeiras, três falsas e duas flutuantes), vértebras (sete cervicais, 12 torácicas, cinco lombares), sacro, cóccix.

Esqueleto apendicular superior (a parte dos ombros e braços): clavícula, escápula, ulna, rádio, carpo, metacarpo e falanges (proximal, medial, distal).

Apendicular inferior (bacia e pernas): osso do quadril (sínfise pubiana, crista ilíaca, fossa ilíaca, face sinfisal, forame obturado, tuberosidade ilíaca, acetábulo), fêmur, tíbia, fíbula, tarso, metatarso e falanges (proximal, medial, distal).

Tudo bem, nada que umas horinhas com o Sobotta, o Van de Graaff, um espelho e a Jennie não resolvam... Agora, esqueça essas palavras (isso é apenas o meu bloco de notas) e vamos falar numa linguagem mais acessível os pontos interessantes da aula.

Segundo a Osteologia (ciência que estuda os ossos), nascemos com cerca de 270 ossos. Durante a infância, conforme ocorre a ossificação, o número de ossos aumenta até aproximadamente 300. Já na adolescência, alguns ossos se fundem, totalizando um número próximo de 206 ossos. Claro, isso pode variar de pessoa pra pessoa, além de questões "dos bastidores", como a discrepância entre os próprios anatomistas...
O esqueleto é realmente muito útil, bem além dos clássicos "sustentação" e "manutenção da forma do corpo". Além disso, o esqueleto protege os chamados órgãos vitais (a saber: Sistema Nervoso Central, coração, pulmões e aparelho urogenital), constitui um sistema de alavancas, trabalhando em conjunto com o Sistema Muscular Esquelético (os músculos que realizam movimentos voluntários) para realizar movimentos. É no interior dos ossos (especialmente no esterno, vértebras, parte do osso do quadril, fêmur e úmero) que ocorre a hematopoiese (formação de células sangüíneas a partir da medula óssea vermelha). Aliás, em crianças, cujo esqueleto está em fase de ossificação, são o baço e o fígado que cumprem essa missão. Os ossos também são um armazém de cálcio e fósforo (e um pouco de magnésio, sódio, flúor e estrôncio também), mas não dá pra esgotar essa reserva, senão todas as outras funções ficam prejudicadas. E essa, quero ver quem já sabia... Os ossos também são reservas de gordura (medula óssea amarela)!


Tem muitas outras coisas interessantes pra falar sobre o esqueleto, que em breve estarão registradas aqui. Vou parando porque o sono está incomodando e amanhã acordo cedo.


Sousa, E.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Origem da Vida

O homem é um ser curioso por natureza (culpa de seu encéfalo altamente desenvolvido). E toda essa curiosidade impulsionou o desenvolvimento da Ciência até os dias atuais (seja pelo caminho da bondade ou pelo caminho maléfico). É interessante pensar que uma ciência tão instigante como a Filosofia foi e é menosprezada por muitas pessoas (bem, infelizmente, foi o que e fiz há alguns anos), justo ela, a mãe de todos os ramos do conhecimento!
Pense só como tudo é uma corrente... Mesmo aqueles pensamentos que hoje parecem imaturos e improváveis, se não existissem... Será que conheceríamos tudo o que conhecemos hoje? É por isso que pessoas críticas são essenciais para a sociedade!
Mas esse não é o assunto que me propus a escrever nesta postagem. Entre tantas questões que nossos antepassados "quebraram a cabeça" para responder, está uma que ainda intriga muitas pessoas... Como a vida surgiu?
Entre os gregos (nos anos 300 a. C.) era muito difundido o pensamento que a vida surgiu espontaneamente... Assim, do nada, sem drama. Talvez algum grego viu uma repentina infestação de pragas e, sem conseguir entender muito bem de onde veio tanto bicho, achou que eles surgiram do nada.
Em 1668, Francesco Redi percebeu através de um esperimento não muito complexo que a teoria da Geração Espontânea não era correta. Ele colocou pedaços de carne em dois frascos: um tampado e outro destampado. Obviamente, as larvas apareceram somente na carne que estava dentro do vidro destampado, devido às moscas que pousavam ali. Demorou um pouco mas finalmente ficou determinado entre os cientistas que uma nova vida só surge a partir de vida pré-existente. Confirmado por Pasteur em 1860.
[ironia] Certo, em euforia a comunidade científica concluiu que novos organismos são formados através de um processo complexo com uma máscara de simplicidade (talvez por ser muito difundido) chamado "reprodução". [/ironia] Resta-nos agora descobrir como é que a primeira vida se formou, afinal, tudo tem uma origem (pelo menos aqui na Terra não existe nada eterno).
A Bíblia explica isso há muuuuito tempo, mas tinha um revolucionário no meio do caminho, no meio do caminho tinha um revolucionário (e nunca me esquecerei deste fato). A primeira teoria (ah, ela continua de pé!) é o Criacionismo. Na atualidade, a teoria se faccionou em duas linhas de pensamento: a primeira clássica, mais ortodoxa, que considera o relato bíblico na íntegra e literalmente. A segunda linha (também conhecida como Neocriacionismo ou Design Inteligente, fundada nos EUA em 1920) acredita que realmente existe uma instituição superior que rege todos os processos que acontecem no Universo, mas não acredita que tudo ao redor tenha sido criado em seis dias de 24 horas. É como se a Bíblia fosse uma metáfora, uma poesia, mas que conta tudo com profunda seriedade e realidade. (comentário pessoal: eu, estudante de Biologia, não imagino tudo na Natureza se formando caoticamente e sendo levado nas asas da sorte).
Em 1924, em Moscou, levantou-se a teoria da Evolução Química Gradual. Na atmosfera primitiva da Terra, com milhões de reações ocorrendo, acabaram-se formando aminoácidos, que foram evoluindo formando proteínas, de repente apareceram lipídeos, glicídeos e companhia para formar células. Assim, a vida surgiu do inanimado. Essa teoria é bastante intrigante, porque as células são, na verdade, sistemas químicos complexos que trabalham para manter homeostase (ou equilíbrio, se você preferir). E somos um amontoado de átomos unidos e organizados por algum mecanismo muito eficiente e que têm a audácia de memorizar e aprender coisas (inclusive, inventar teorias sobre eles próprios). Acontece que os experimentos para comprovar esta teoria nunca produziram mais que aminoácidos muito simples (para alegria dos cientistas que acharam isso um absurdo e frustração daqueles qe passaram a vida debruçados nesse pensamento, embora a vida tenha levado mais tempo pra se estabelecer do que o tempo que eles tinham disponíveis para o experimento).
E tem também a teoria da Panspermia Cósmica, pra quem curte falar sobre vida fora da Terra. Ela propõe que a vida surgiu em algum ponto fora do nosso planeta e tenha chegado até aqui via meteoro ou coisa parecida. OK, nada contra (nem nada a favor). Mas ela apenas transfere o problema de lugar, já que não importa o ambiente, a resposta que queremos é como a vida se estabeleceu a partir do que quer que seja.

Enfim, a vida existe. Como surgiu? Acredito que um grupo de cientistas eufóricos num debate não poderão determinar isso para a humanidade. Cada um tem seu próprio poder de escolher em que acreditar. =)


Sousa, E.

Mais uma vez, estou aqui!

Cansada de fazer e desfazer blogs, mas me deu vontade de tentar mais uma vez. Li (ou ouvi falar, quem sabe... Nem lembro direito agora) que as pessoas procuram cada vez mais expor seus sentimentos e frustrações (mesmo que ninguém leia ou se importe) para se sentirem um pouco melhores. Espero não acabar falando de sentimentos aqui (a não ser, talvez, pelo modo bioquímico). A intenção não é exatamente me sentir melhor de alguma frustração (poxa, eu vou falar de Biologia aqui! Até parece que estou frustrada!!), mas exercitar um pouco a nova ortografia (sei que uma pessoa vai me ajudar bastante neste aspecto...) e fixar os conteúdos que estou vendo na universidade.
Ah, falando na minha universidade, eventualmente eu vou sair do assunto, já que a minha querida difere das universidades tradicionais... Digamos que serei uma bióloga bem diferente em questão de conteúdo (melhor? Pior? Por enquanto, prefiro diferente...). Portanto, já respondo de antemão: sim. Serei eu mesma que estarei escrevendo sobre JAVA, Física, Química, Cálculo, Geopolítica e, obviamente, sobre a minha preciosa Biologia =)
Sobre o título... São dois tipos celulares... Oócito é a célula reprodutiva feminina (é o nome moderno para o que nossos pais conhecem como "óvulo"), e neuróglia é uma classe de células presentes no Sistema Nervoso, que, com certeza, serão comentados aqui. São os dois tipos celulares que eu mais amo! <3
Acho que pra primeira postagem está bom. Espero que desta vez dê certo, né?


Sousa, E.